©2019 by zenped. Proudly created with Wix.com

 
  • Joana Martins

10 perguntas que devem fazer antes de escolher o infantário




Sabemos que a escolha de um estabelecimento de ensino é particularmente sensível. E não há de facto um guião padronizado para orientar a escolha. No entanto, há algumas perguntas que podem e devem ser feitas pelos pais, de forma a facilitar o processo de decisão. As mais óbvias, como horários, prolongamentos,métodos de pagamento, descontos em caso de terem irmãos na mesma escola, não irão ser abordadas.


1. Número total de crianças na sala e ratio crianças/ adulto responsável:

Felizmente, sendo uma pergunta concreta, podemos dizer-vos o que está preconizado pelo Conselho Nacional de Educação. Infelizmente, nos últimos anos, em contexto de crise, este ratio sofreu algumas alterações, a nosso ver, prejudiciais. Assim, para berçario, admite-se 8 a 10 crianças por sala, com 3 cuidadores. Na sala 1 a 2 anos, admitem-se 10 a 14 crianças, para 2 cuidadores.Na sala de 2 a 3 anos, admitem-se 15 a 18 crianças, para 2 cuidadores. A partir destas idades, a constituição máxima das turmas deverá ser de 25 crianças, sendo que é necessário manter o ratio de 1 cuidador para cada 9 crianças. Daí que seja preconizada a existência de 3 cuidadores.


2. Política alimentar: providenciam refeições e snacks ou os pais são responsáveis pelos mesmos. Dispõem de uma ementa que podem consultar? Como avaliar uma ementa? No caso de alergias e intolerâncias alimentares, qual a posição da escola?

Qual seja a posição da escola, temos que garantir que existe uma boa cadeia de frio, para que a comida, quer feita no local, quer venha por distribuição, chegue com a qualidade adequada. As escolas são obrigadas a expor uma ementa para conhecimento atempado dos pais e cuidadores. Isto é especialmente relevante no caso de alergias alimentares, porque terá que ser fornecida uma alternativa. Peçam para consultar a ementa. Há regras gerais muito interessantes sobre o assunto e a DGS dedicou-se a regular determinados aspectos. Por exemplo, não se recomenda a distribuição de leite achocolatado, nem de bolachas ou biscoitos, nem de cereais com adição de açúcar.

Por isso é especialmente importante perguntar: em caso de aniversário, podemos trazer um bolinho? A resposta deveria ser não! A escola deve ser 100% responsável pelos alimentos consumidos nas suas instalações (sobretudo pelas questões de segurança alimentar e alergias). E bolos de aniversário, gomas, rebuçadinhos trazidos de fora não deveriam existir!

Ora pensem connosco: se na mesma semana, tivermos 3 aniversários na mesma sala, então vamos ter 3 bolinhos e 3 saquinhos de doces para trazer para casa. Excessivo, não? O que estamos a dizer com isto é que existem escolas que celebram os aniversários dos alunos em conjunto, confeccionando um bolo (uma actividade pratica que eles adoram) para o efeito. Existem escolas, obviamente, nas quais isto não é possível (escolas sem cozinha, por exemplo??? Estranho...). Nestes casos, os pais podem organizar-se de forma a celebrar os aniversários não individualmente, mas em grupo. Sai inclusivamente mais barato! E porque não?


3. Política de higiene: quais os produtos de higiene utilizados: são providenciados pela escola ou pelos pais? No caso de utilização de fraldas de pano, não esquecer de colocar esta questão.


Como é que a escola se posiciona? Se fornece tudo, qual a política para crianças mais sensíveis que requerem cuidados individualizados? Se não fornece, simples, com que regularidade precisamos de repor os consumíveis? No caso das fraldas não descartáveis, qual é a política: há um numero de fraldas que ficam na escola, ou todos os dias os pais providenciam novas? Hoje em dia as escolas têm uma abordagem muito diferente e tentam dar respostas individualizadas às suas crianças. Tem que haver espaço para estas questões. Uma escola rígida que não compreende o vosso posicionamento, não será uma boa escolha.


4. Política de Segurança: quem pode recolher as crianças? Que procedimentos dispõem para identificação? Se a escola dispõe de serviço de entrega- com carrinha própria, quais as condições de segurança?

Esta parece uma questão bastante óbvia: em princípio, os pais são facilmente identificados, mas em caso de outras pessoas terem de recolher as crianças, como é que a escola garante que são as pessoas certas? Frequentemente passa pelos pais fornecerem fotografias das pessoas que podem recolher os meninos e avisarem quando o irão fazer. Em relação às carrinhas de transporte: têm que obedecer as mesmas regras de segurança que o vosso carro, com a cadeira apropriada para o peso da criança, idealmente contra o sentido da marcha até aos 4 anos ou 18kg.


5. Modelos pedagógicos: existe uma orientação pedagógica global na escola ou cada educadora se posiciona de acordo com a sua preferência?

Creio que esta é uma questão mais recente. No entanto, em Portugal, os modelos pedagógicos mais utilizados (de acordo com a Associação de Profissionais de Educação de Infância) são: Pedagogia de Projecto, Movimento da Escola Moderna, Método João de Deus, Currículo de Orientação Cognitiva e Pedagogia de Situação. Ultimamente tem havido alguma discussão sobre este assunto, com algumas metodologias a ganhar maior destaque, como a metodologia Montessori e Waldorf. Faremos uma pequena revisão sobre este assunto para ajudar os pais a tomarem conhecimento destas diferentes correntes pedagógicas e escolherem o que melhor se adapta ao vosso estilo familiar e orçamento.


6. Regras da escola: podem visitar as crianças em horário aberto, em sala?

Isto é mesmo muito relevante: desconfiem de escolas que limitam o acesso dos pais à sala de aulas das crianças. Porquê? O que têm a esconder? A escola tem que ser um organismo vivo e aberto. Tem que se estabelecer uma relação de confiança entre os pais e os educadores. Se esta situação pode ser um pouco excêntrica se a criança tem 4 anos, é fulcral no caso das crianças mais pequeninas que ainda fazem leite materno: será espectável e recomendável que a mãe possa visitar a escola para poder dar de mamar em horário aberto, sem limitações.


7. Política da escola em relação às vacinas

Isto é tão, mas tão importante. Nós na ZenPed, temos um posicionamento a favor da vacinação, por isso, sem qualquer questão, recomendamos que os pais escolham escolas que exijam o boletim de vacinas ACTUALIZADO. Não vale a pena correrem o risco do vosso filho com menos de 1 ano ter sarampo, porque os pais de um menino na sala de 2 anos se recusam a vacinar o filho. Parece-nos óbvio!


8. Política da escola em relação às crianças doentes

Isto é muito importante: se as crianças têm febre (> 38.2ºC), se têm diarreia, se estão a vomitar, têm que ir para casa. Já bem basta os eternos ranhos e tosses. Os pais têm que ser notificados e agir de acordo com o acordado e recolher os filhos da escola.


9. Como mantêm os pais actualizados sobre as tarefas dos filhos? Emitem um relatório diário?

Isto é um assunto mais recente, especialmente com o advento dos grupos de what's up... mas para alguns pais, poder ter uma ideia do plano diário pode ser um factor de eleição de uma escola. De qualquer forma, é natural haver um plano de actividades semanal que os pais podem e devem consultar. Mesmo que não recebam actualizações em tempo real das actividades dos vossos filhos.

Falando por experiência pessoal, é óptimo quando estamos no trabalho e recebemos uma foto do nosso filho a brincar com uma tartaruga ou a esgravatar a terra com as mãos. Faz-nos pensar que o esforço monetário que estamos a fazer está a ser devidamente compensado!


10. E a sesta, como é que é?

A maioria das creches permite a sesta/ períodos de sorno diurno, sendo mais ou menos consensual a sua obrigatoriedade abaixo dos 3 anos. No entanto, com a entrada no infantário, as posições polarizam-se: há escolas que permitem a sesta, outras que não têm condições para tal (implica disporem de uma sala para o efeito bem como catres ou colchões)...O que recomendamos?

De acordo com o posicionamento da Sociedade Portuguesa de Pediatria, deve ser possível dormir a sesta até aos 6 anos de idade (até à entrada na escola primária). Como sabemos que as crianças não são todas iguais, recomenda-se a possibilidade de existirem 2 salas, uma onde as crianças ficarão a descansar, outra onde podem estar acordadas. No entanto, vemos com bons olhos as escolas que têm políticas que incentivam (mais do que apenas proporem) um período de sesta na parte da tarde. Por curtinha que seja.