• Joana Martins

Avaliações




Com o regresso às creches e infantários, alguns estabelecimentos programam reuniões de pais, de forma a explicarem o projecto para o novo ano lectivo.

Nós, na Zenped, olhamos para este momento como uma oportunidade de colocarem as vossas questões sobre os métodos que irão ser explorados e a própria calendarização das actividades propostas.

No entanto, este post não tem nada que ver com actividades e pedagogias. Este post tem que ver com, preparem-se: as avaliações no pré-escolar!

Sim, também eu comecei por olhar de forma sobranceira para as avaliações do Sebastião: ”sim, está tudo bem”, “pois, ele tem 2 anos, é natural que não saiba, nem queira, partilhar...”. Devo confessar que, ao início, parecia-me um momento um pouco estranho. O meu filho parecia estar bem, mas haver um espaço formal para discutir estes aspectos e um relatório escrito, deixou-me um pouco surpreendida.

Foi então que decidi estudar o assunto: as avaliações no pré-escolar são úteis ou não?

Encontrei este artigo velhinho, mas bastante interessante (ver aqui) que tenta estabelecer uma associação entre os aspectos avaliados no momento de ensino pré-escolar (5/6 anos) e características destas mesmas crianças, 13 a 19 anos depois.

O que é que descobriram?

Não, a avaliação no ensino pré-escolar não permite determinar se vamos ter um engenheiro aeroespacial ou um violinista, mas ajuda a prever alguns aspectos.

As características não cognitivas, como o temperamento, a regulação das emoções, a atenção, as capacidades sociais, como a empatia, são absolutamente necessárias para o desenvolvimento pessoal e bem-estar na vida adulta.

Ao ponto de, mesmo após eliminarem variáveis como o nível sócio-económico, o risco familiar (mães adolescentes ou famílias monoparentais), o tipo de bairro em que residiam e a capacidade académica das famílias, conseguiram concluir que se os miúdos, no pré-escolar, eram capazes de completar tarefas, gerir responsabilidades e demonstravam cooperação e capacidade de resolução de conflitos, então teriam maior probabilidade de:

1. Completar o secundário sem chumbos;

2. Completar uma licenciatura

3. Ter um emprego full-time

Da mesma forma, estariam protegidos dos seguintes aspectos:

1. Dependência de subsídios ou necessidade de habitação social;

2. Envolvimento com a polícia: detenções/ idas a tribunal

3. Ter praticado crimes graves antes dos 25 anos.

Reparem! A avaliação no pré-escolar parece predizer melhor estes aspectos do que o nível sócio-económico (e como tal, a morada), a estrutura familiar e o nível académico dos pais!

Achamos este aspecto tão ou mais interessante, porque realmente o papel do infantário é mesmo incentivar as crianças a desenvolverem estas capacidades não cognitivas, ao invés da escola convencional, que irá colocar a tónica nas capacidades cognitivas. E todos sabemos que não foi a nossa nota a matemática que determina o nosso nível de desenvolvimento pessoal e bem-estar quando finalmente, chegamos a adultos. Mas a nossa empatia, sim!

Por isso, queremos dizer: Bem-hajam, educadoras, por nos mostrarem bem cedo, os caminhos que teremos que trilhar para ajudar os nossos filhos!

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