• Joana Martins

Livro da Semana 12




Esta semana vamos voltar a sugerir um livro para pais. Conheci a Dra. Inês Afonso Marques, psicóloga clínica da Oficina da Psicologia (ver aqui), numa reunião de pais na escola dos meus filhos. E lembro-me que ela disse-me uma coisa que, naquele momento, teve um grande impacto em mim:

As crianças precisam de tédio.

Sinceramente fiquei profundamente abalada com isto: naquela altura andava a correr imensas actividades estruturadas: concertos para bebés, entradas gratuitas em museus, horas do conto um pouco por todo o lado, oficinas de manualidades no Museu do Oriente...enfim, um pouco de tudo, que afinal era pouco mais do que nada. (Mais sobre agendas excessivamente preenchidas, ler este post)

E vejamos porquê: não só os miúdos precisam de tempo livre de actividades estruturadas para se sentirem entediados e com isso desenvolverem a sua criatividade para brincar, como, ao ocupar o tempo com actividades formais, acabava por não ter tempo para a coisa mais importante. Brincar.


A brincar estimulam-se competências: os seres humanos têm esta capacidade inata de explorar o meio envolvente e transformar a exploração num momento de aprendizagem divertido. Os bebés brincam!

Mais tarde, a brincadeira evolui: temos jogo simbólico! E aí abre-se a caixa de pandora das inúmeras utilidades para os rolos de cartão do papel higiénico, só para citar um exemplo, porque aqui em casa servem de túneis para os carros e berlindes, binóculos, torres e animais...




Ora, o que é que este livro nos diz de novo?

Divide-se em duas partes: a primeira parte versa sobre o desenvolvimento e o tipo de brincadeiras adequadas para cada etapa, bem como as escolhas de brinquedos (ou a ausência deles) mais adequadas. Na segunda parte, na minha óptica, a mais interessante, utiliza-se a brincadeira como instrumento para compreender as emoções, responder a perguntas difíceis, estimular valores e a curiosidade.

Vamos dar um exemplo retirado do livro, para crianças com mais de 5 anos, para lidarem com a frustração: o jogo da moeda! Todas as moedas têm duas faces: "eu fiz birra para tomar banho porque não queria deixar de ver os desenhos animados na televisão" - esta é a face má! "MAS, porque fui tomar banho mais cedo, tive mais tempo para o pai me ler um livro ao deitar" (nitidamente a face boa a incentivar a aceitar os aspectos menos bons do banho mais precoce). Ao início pode ser necessário os pais darem o exemplo, mas este jogo não só deixa ventilar a frustração, como permite esta flexibilização do pensamento em reconhecer que há coisas boas mesmo nas situações que à partida, nos desagradam...e se os miúdos precisam disto, imaginem só os pais!


Por isso, se puderem, dêem uma vista de olhos neste livro! Vale muito a pena!

(Desculpem lá a casinha de madeira do Lidl, mas os miúdos adoram!)




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