• Joana Martins

Livro da Semana 4

E porque a pediatria não é só para bebés e crianças pequenas, esta semana trazemos um livro mais dirigido a um público adolescente.

Esta é uma versão adaptada do clássico “O Triunfo dos Porcos” (George Orwell, 1945) e dirigida a um público juvenil, sob a forma de banda desenhada para se tornar mais apelativa a esta faixa etária e com um grafismo simples mas de traço forte. É forçosamente uma versão mais curta e simples, mas na qual se mantém clara a premissa intemporal na génese da obra original – a crítica à guerra de classes, às ditaduras e a todo e qualquer uso de poder totalitário.

“Neste mundo que não é o melhor dos mundos, mas é o nosso” surge uma revolta na quinta “Granja do Solar” liderada pelos animais que, unidos, expulsam o dono que os explora desde que há memória. A nova era que se segue baseia-se no princípio da igualdade de todos os animais, que como tal gerem em conjunto os recursos da quinta e as suas próprias vidas – com o contributo de cada um, a quinta reencontra a sua prosperidade, a comida abunda e até os animais velhos passam a ter a possibilidade de se “reformarem” e viverem confortavelmente (em alternativa ao matadouro de outrora).

Mas como o que é bom acaba depressa, o idealismo inicial e a democracia animal recém-criada cedem à corrupção e à ambição pelo poder e o lema passa rapidamente a ser «todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais do que outros». A exploração regressa a pouco e pouco sob a forma de uma severa ditadura suína tão corrupta quanto à dos humanos, ou mais ainda, visto que os próprios porcos foram dos grandes impulsionadores da revolta com que o livro tem início.

“O Triunfo dos Porcos” é um daqueles livros que pode ser lido em diferentes fases da vida (cronologicamente falando mas não só) e em cada momento se irão descobrir novos nuances presentes na estória, enriquecendo-a cada vez mais – “Alice no País das Maravilhas” e “O Principezinho” são outros exemplos, mas isso fica para outro(s) post. Por isso, pouco interessa se um miúdo de 8 anos não tiver consciência de que esta estória é uma alegoria política intemporal, ou que um jovem de 13 anos não saiba que o livro foi escrito como uma crítica directa à revolução russa de 1917 e ao estalinismo, qualquer criança conseguirá “apanhar” os ensinamentos mais básicos como “a união faz a força” e as consequências por detrás da premissa de que “todos os animais (pessoas) são iguais mas alguns mais iguais do que outros”.

Além disso, pensem em como será interessante para os vossos filhos descobrir as diferentes camadas desta estória quando lerem mais tarde a versão original do livro. Ah, e também podem ver em conjunto a versão animada da mesma (“A Revolta dos Bichos”, versão original com legendas em português do Brasil) – podem assistir ao filme completo no youtube mas atenção que as cenas das revoltas são “pesadas”



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