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  • Joana Martins

Mães gordas têm filhos gordos?


Sei que já vamos tarde: no dia 11 de Outubro celebrou-se o dia mundial da luta contra a obesidade. Já sabemos que se trata de uma epidemia, que afecta cada vez mais crianças, que diminui a sua esperança média de vida abaixo da esperada para os seus pais e avós. Já sabemos que para controlar a obesidade temos que comer menos e melhor e fazer exercício físico.

No fundo, sabemos tudo.

Só que não sabemos nada.

Porque apesar de tudo o que sabemos, a obesidade afecta cada vez mais pessoas.

Ou estamos a errar em toda a linha, ou há alguma verdade diante dos nossos olhos que não estamos a querer ver.

Como mulher obesa (sim, obesa, com IMC de 36, claramente acima do numero redondo dos 30) estas iniciativas deixam-me um bocadinho sem saber o que dizer.

Portanto, mundialmente lutamos contra a obesidade. Mas lutamos com o quê?

Contra este factor moral que é ser gordo?

Será que quando dizemos "só é gordo quem quer", não estamos a dizer, que se és gordo ou gorda, seguramente terás uma falha de personalidade, de carácter, de força de vontade, de moral?

Porque o que é belo é bom, a mulher gorda é necessariamente feia e má.

E o que dizer da mulher gorda com filhos?

Podemos dizer que as mulheres engordam com as gravidezes e que nunca chegam a conseguir recuperar a figura que tinham antes. Não é o meu caso. Tive mais cuidado com a alimentação durante a gravidez. Por todos os motivos: as mulheres gordas têm maior resistência periférica à insulina, estão em maior risco de ter diabetes gestacional, têm mais complicações do parto...Pior...O meu maior medo durante a gravidez foi ter um bebé que, medicamente, se chama filho de mãe diabética, um bebé grande para a idade gestacional, molinho, com dificuldades alimentares e hipoglicémias sucessivas pelo excesso de insulina materna.

Os bebés nasceram e não foram nada disto. Pude respirar transitoriamente de alívio. No entanto, à medida que crescem, um medo tenebroso tem vindo a instalar-se: estarão eles no caminho de serem gordos como a mãe?

Sabemos que há um factor genético claro e no meu caso, também há um contexto educacional...por isso, os meus filhos estão duplamente em risco de serem gordos. E a obesidade tem esta coisa de ser insidiosa. Eu, com 3 anos, não era obesa. Era grande, era robusta, era forte.

Cheguei à adolescência e não era obesa, era roliça, era gordinha, não era um pau de virar tripas e tinha maminhas.

E 36 anos depois, a metamorfose iniciada tantos anos antes,deu finalmente frutos: só que em vez de uma linda borboleta a eclodir do casulo...era só eu. Eu e uma roupagem muito distante da elegância, algures entre o 48 e o 52.

Por isso mesmo temo pelos meus filhos. Temo que o percentil de peso deles seja maior que o percentil da altura. Temo que, por não conseguir que eles gostem das papas sem açúcar da Holle esteja a cometer um erro que irá reverberar no seu futuro e torna-los gordos. Temo quando ofereço uma barrita kinder ao Sebastião, esteja a pavimentar o caminho para uma obesidade intratável.

Podem dizer-me que isto tudo é um exagero. Mas a ciência é clara. Mães gordas deixam um imprinting genético nos seus filhos. As mães gordas têm maior risco de ter filhos gordos. Só que eu, não conseguindo fazer tudo ao mesmo tempo, quero ter a certeza que não é esta a herança que vão receber de mim,