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  • Joana Martins

Menos com menos dá mais.

Updated: Jul 23, 2019


Tínhamos chegado a este ponto: que se calhar, só se calhar, não é só cansaço. Que se calhar, só se calhar, não é natural, não é só uma fase, não é preciso ter paciência. Não, se calhar, só se calhar, temos que fazer alguma coisa. Porque precisamos de agir. Pouco que seja. Mas agir.

Vamos tentar abordar a questão desta forma: se a mãe (ou o pai) em burnout tem a sensação que tem mais exigências que recursos, temos mesmo que agir sobre estes pratos da balança e tentar equilibra-los.



Reduzir o stress


1. Pedir Ajuda

Parece óbvio, não é? Mas nem sempre é o mais fácil. Vamos lá, repitam comigo: "VAMOS PEDIR AJUDA" ou melhor " SE NOS OFERECEREM AJUDA, VAMOS ACEITA-LA". Sim, os avós ofereceram-se para ficar com eles num sábado à tarde. O que é que vamos fazer? Vamos dizer que sim e AGRADECER. Na hora! Uma madrinha chega-se à frente e diz que quer levar o menino a ver o Rei Leão. O que é que vamos responder? "É já, quando quiseres, OBRIGADA."

Aceitem, aceitem a pouca ajuda de que possam dispor. Se, por algum motivo, têm sido esquisitinhas nas ajudas que vão tendo, deixem de o ser. Vale tudo. Podem inclusivamente reactivar ofertas antigas que nunca cobraram. Telefonam à tia e dizem: "Lembras-te daquela vez que te ofereceste para levar os putos ao oceanário? pode ser o próximo fim-de-semana? " É assim, minhas amigas: sem vergonhas.

É muito importante perceberem que pedir ajuda para usufruir de uma pausa não vos torna em más mães, nem vos diminui aos olhos de ninguém. Apenas significa que são humanas e precisam de recarregar baterias. Ninguém consegue executar imaculadamente a mesma tarefa 24 horas, 7 dias por semana. E é isso que se exige aos pais. Por isso, peçam ajuda, no que puderem. E no limite, se não têm ajuda nenhuma, então está na hora de deixar de comprar prendinhas do pai natal (assim como assim, o planeta está cheio de plásticos inúteis...) e investir num mealheiro para ter uma babysitter uma vez por mês. Porque ninguém aguenta. E quem diz que aguenta está a mentir. Simples.


2. THE GOLDEN HOUR

Quem é médico imagina logo a surviving sepsis campaign...mas não, não é disso que se trata...estamos a falar sobre um objectivo simples: existirá no vosso dia uma hora que seja só vossa? UMA hora. E não, não é para aproveitar e fazer uma meditaçãozinha, ou escrever um diário, ou agradecer 6 aspectos da vossa vida. Não: estamos a falar de 60 minutos absolutamente só vossos. Sagrados. Querem ver novela? pode ser. Querem ver o keeping up with the kardashians ? pode ser. A única coisa que é importante é que nessa hora escolham qualquer actividade que vos reconecte convosco próprias. Pode ser dormir uma sesta. Se esta hora é de manhã cedo, antes dos miúdos acordarem, tudo bem. Se é na vossa hora de almoço no trabalho, também pode ser (só não vão almoçar com quem não querem). Só não seja quando vocês vão dormir. Porque isso já não é a vossa hora...é hora de descanso. Sim, estou a dizer que vão ter que anunciar que durante uma hora, não estão para ninguém. E vou confessar-vos: a maior parte dos dias nem uma hora se consegue. Mas podem conseguir-se 20 minutos sagrados. O suficiente para um duche sem interrupções. Ou passear os cães. Pensem nisso. E decretem: " esta é a minha hora dourada".


3. "Eu sou uma mãe suficientemente boa"

Há quem se indigne com esta expressão. Há quem responda: "eu não me dei a este trabalho todo de ter filhos, para ser uma mãe suficientemente boa. Eu quero ser uma boa mãe. Eu quero ser uma óptima mãe!"

Quando em 1953, o pediatra a psicanalista Donald Winnicott sugeriu esta ideia da mãe suficientemente boa (good enough), o que ele queria dizer era justamente que através desta gestão entre: 1. exigências dos filhos; 2. urgência da resposta às exigências dos filhos, reside o equilíbrio perfeito entre a mãe e a mulher. E que é mediante este equilíbrio que a própria criança percebe que o mundo é frustrante. E que isso é bom! Nós temos que aprender a lidar com a nossa frustração!

Uma criança que nunca vê as suas exigências correspondidas, é uma criança abandonada. Uma criança que vê as suas exigências correspondidas de imediato, SEMPRE, não vai saber aceitar a frustração do mundo real. E o que é mais elegante desta ideia, é que, se no recém nascido, temos que atender às suas exigências SEMPRE, à medida que ele vai crescendo, vamos ter que inserir algum nível de distancia. E isso está certo. Isso é inclusivamente benéfico para o desenvolvimento de autonomia da criança.

Por isso, se vos apetece ficar fechadas na casa-de-banho, a ver 20 minutos da série Chernobyl e o vosso mais-que-tudo está a lidar com um nervous meltdown (o oitavo, nesse dia) do vosso puto de 2 anos. Esqueçam lá isso! Vocês estão a ser mães suficientemente boas. Bem-hajam!


Aumentar os recursos


Aqui é que a situação é mais complicada. Numa situação de burnout parental faz todo o sentido ter ajuda especializada. Seria o mais indicado. SEMPRE. E as estratégias mais baratas acabam por não ser personalizadas, podendo não ajudar realmente a resolver o problema. A longo prazo, uma situação mal controlada, mal trabalhada, pode conduzir a um síndrome depressivo, que no limite terá custos indirectos muito mais elevados. Pensem nisto. O espectro entre stress parental, burnout e depressão é contínuo. É importante agir precocemente.


1. Expressão emocional

Vamos falar sobre o assunto? sem medos? sem vergonha? é preciso falar sobre o impacto emocional desta exaustão. Ao expressarmos as nossas emoções, aprendemos a ser progressivamente mais articulados sobre o assunto. Aumentamos a nossa inteligência emocional. Com quem vamos falar? com o psicólogo ou psiquiatra (quando possível), com amigos na mesma situação e que por isso mesmo têm melhor compreensão das vossas dificuldades, com amigos que não têm filhos, porque vão lembrar-se do que vocês eram sem filhos e podem ajudar-vos a ancorar as vossas ideias naquilo que são antes de ser mãe/ pai, com grupos de ajuda (tipo pais anónimos, um formato muito pouco frequente em Portugal... na Zenped estamos mesmo a pensar criar um espaço de conversa guiada, para deixar os pais expressarem as suas dificuldades), com grupos online...o que seja...


2. Reconhecimento

Vamos ter que fazer um esforço de reconhecimento das vitórias já atingidas. Podem ser pequenas. Mas todos os dias temos alguma espécie de pequena vitória. Nem que seja algo do género: "Mantive-os vivos durante uma tarde INTEIRA". Pronto, já vale! A tarde foi péssima, fizeram 200 birras, a sala está um Kosovo, o chão da cozinha está pejado de comida, mas (MAS) estão vivos! Vamos olhar para este lado dos eventos. Nada é assim tão grave. Nunca nenhuma criança faleceu de tédio, ou de fome com um prato de sopa disponível, ou de uma birra. Por isso, está ganho!



Existem obviamente formas mais adequadas de expressar a nossa preocupação. No entanto, nós, na Zenped, achamos este assunto muito relevante. Se algumas destas bandeirinhas vermelhas se agitam na vossa mente quando lêem estas publicações, procurem ajuda. Por muito boas mães (ou pais) que sejam, não vão conseguir manter o vosso nível de excelência muito mais tempo, sem correrem riscos sérios de ficarem doentes. E queremos que saibam que a ajuda existe!

Coragem!

Estamos por aqui!



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