• Joana Martins

O dilema da sesta

Há tanto, mas tanto a dizer sobre o sono das crianças. Se houvesse só um blog dedicado a este tema, então certamente que teria conteúdo para sempre.

Desde o número de horas de sono por idade, local do sono, treino de sono, há um manancial de assuntos por explorar.

Mas neste conjunto de artigos sobre o regresso as aulas, gostávamos de abordar o sono na escola. Felizmente existem recomendações precisas da sociedade Portuguesa de Pediatria sobre o assunto. E existem algumas iniciativas para regular este assunto: houve uma petição pública para promover ou salvaguardar a sesta nos estabelecimentos de ensino pré-escolar (até aos 5/6 anos) que reuniu 4000 assinaturas e que levou a que o PAN apresentasse uma proposta legislativa na Assembleia da República em Maio deste ano (ver aqui). Há alguma resposta definitiva? Ainda não.

Mas nós, na Zenped, queremos que os pais sejam informados e possam ser agentes de mudança nas escolas nos vossos filhos. Por isso, vamos começar por defender o sono.

O sono é absolutamente necessário, caso contrário não passaríamos 1/3 da nossa vida a dormir. É tão vital porque, de facto, é um processo activo! Dormir é vital para o restabelecimento de processos neurológicos, recuperação celular, produção de hormonas, crescimento, tantas, tantas funções absolutamente necessárias à vida.

E porque é que nós, na Zenped defendemos a sesta? (pode parecer óbvio, porque queremos putos zen, a dormir...)

A sesta, ao ser um hábito, tem uma importância absoluta na consolidação da memória! Estudos em crianças em idade pré-escolar, revelam a importância da sesta como uma forma de processar, armazenar e tornar facilmente acessível, a memória do desempenho que tiveram durante o período da manhã, servindo assim como uma estratégia de consolidação imediata das aprendizagens.

Então, se nós partimos de um recém nascido, que dorme 17h por dia e chegamos ao miúdo aos 3 anos e lhe tiramos a sesta, que quantidade de horas de sono lhe tiramos e de facto, quantas horas de sono eles precisam?

Vamos então fazer uma conta bem simples: se os miúdos entram na escola às 8:30 (os que têm essa sorte), pressupõe-se que acordem sensivelmente às 7:30. Se considerarmos que as famílias portuguesas organizam as suas rotinas de jantar por volta das 20:00, então é simples de perceber que os miúdos estarão na cama seguramente depois das 21:30 (estamos a ser muuuuuuito optimistas). Então, entre as 21:30 e as 7:30 são 10h de sono (isto se dormirem que nem passarinhos, a noite toda, sem xixis, choros, lamentações, terrores nocturnos, pesadelos ou quedas da cama...).

Se a criança tiver entre 1 e 2 anos, recomendam-se 14h de sono. Por isso aqui é fácil e as creches habitualmente cumprem esta recomendação.

Mas depois dos 3 anos, o que é que acontece? Entre os 3 e os 5 anos, recomendamos 10 a 13h de sono...e parece-nos que a ideia de que os miúdos estarão todos na cama pelas 21:30 é vagamente optimista.

Então, temos um problema! Temos miúdos em crónica privação de sono, que vêm da escola (onde não dormiram) e mal aterram no carro dos pais, adormecem… Se a viagem até casa ainda fosse longa (1h ou 1h30min), menos mal, poderiam recuperar, mas frequentemente não estamos a falar de deslocações tão longas...e depois temos 2 possibilidades: ou acordam quando chegam a casa e ficam mais mal-dispostos e irritados que um perú e não conseguimos fazer nada com eles e as rotinas correm todas mal, ou são umas pequenas pedrinhas, ferram-se a dormir e nem jantam!

Isto é complicado, mas com isto queremos dizer que dormir a SESTA ATÉ AOS 5/6 ANOS é fundamental!

Por isso juntamos o documento da Sociedade Portuguesa de Pediatria (ver aqui), para que vocês, como pais informados e interessados que são, peçam a mudança nas escolas dos vossos filhos!

Quem é que quer aturar um miúdo rezingão e maldisposto ao fim do dia? Vocês passaram o dia todo a trabalhar e querem que os momentos que têm com os vossos filhos sejam os melhores possíveis. Vamos tentar uma mudança?




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