• Joana Martins

P&R: Qual a melhor idade para uma criança aprender línguas?

Rita, mãe de Ana (5anos) e Sofia (8anos)


Acreditam que já na década de 60/70 muito se debatia acerca desta questão? Pois bem, nesta altura acreditava-se que, apesar de existirem vantagens e desvantagens em qualquer idade, seria no final da adolescência e início da idade adulta o melhor timing para a aprendizagem de uma nova língua. Desde então foi ganhando força a ideia de que seria antes na infância (sensivelmente nos primeiros 10 anos de vida) o período ideal para esta aprendizagem devido ao desenvolvimento e plasticidade do cérebro nesta etapa.

Um estudo de larga escala realizado em 2018 (colaboração entre as Univ. Boston e Harvard e o MIT) veio validar estas teorias mas acrescentou um dado novo e muito relevante: afinal o período crítico termina cerca de 1 década mais tarde do que o defendido até agora, cerca dos 17-18 anos! Passando desta idade, teoricamente nunca se será capaz de falar fluentemente como um nativo, e isto é especialmente verdade para a pronúncia e entoação das palavras, para tal é necessário iniciar a aprendizagem antes dos 10 anos – o estudo é bastante claro neste aspecto.

Agora, tão ou mais importante que a idade, é como se aprende a língua, e aqui sim, as recomendações diferem para as diferentes faixas etárias. Excepção feita ao bilinguismo (que falaremos num outro post), as recomendações para o ensino informal (fora do ambiente típico de sala de aula) são a partir sensivelmente dos 3 anos, através de músicas, jogos, livros ou até programas de TV falados na língua em questão. Já o ensino formal da língua, em sala de aula, está apenas recomendado após a criança já ter adquirido os conhecimentos línguisticos (gramática, sintaxe) da língua nativa, pois aqui a aprendizagem já será feita de forma consciente.

Assim, como já devem ter percebido, esta questão de qual é a melhor idade para aprender uma nova língua é uma falsa questão, não só porque a literatura científica não especifica A idade mas também porque há muita verdade no dizer “não há momento como o presente”! E mesmo um adulto, se motivado, consegue aprender uma nova língua, a um ritmo diferente, é certo, mas “é melhor tarde que nunca”. E mais, podemos sempre dar uma oportunidade à criança e logo veremos como se adapta, se gosta e está motivado, se está com dificuldades, e por isso desmotivado, e logo saberemos o que fazer – afinal nenhum linguista/cientista conhece melhor o nosso filho que nós próprios!


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